"Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender."
(Caio Fernando Abreu - Para uma avenca partindo)
sábado, 19 de dezembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
fase 2
domingo teve aquele simuladinho chamado fuvest. a família estava aparentemente mais nervosa que eu mesma. só fui me dar conta do que estava prestes a enfrentar quando saí do carro. aí o pânico me tomou. friozinho na barriga, braços cruzados, olhos inquietos, sorrisinhos aflitos. mas alguns dos meus educadores preferidos me desejaram boa sorte lá, e parece que o poder deles fez efeito. além disso, o meu próprio poder (claro) e o poder de todos aqueles que lembraram de mim ajudaram bastante (aliás, obrigada!).
a ficha tá caindo vagarosamente: estou muito perto de começar a tão esperada vida universitária - ou um ano de cursinho. depende do quanto eu me matar de estudar nesse mês e meio que me resta para a batalha final. acho que sonhar com exercícios de trigonometria é um bom sinal... então, sai da frente que a vaga é minha!
a ficha tá caindo vagarosamente: estou muito perto de começar a tão esperada vida universitária - ou um ano de cursinho. depende do quanto eu me matar de estudar nesse mês e meio que me resta para a batalha final. acho que sonhar com exercícios de trigonometria é um bom sinal... então, sai da frente que a vaga é minha!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O dia que Júpiter encontrou Saturno
"Foi a primeira pessoa que viu quando entrou. Tão bonito que ela baixou os olhos, sem querer querendo que ele também a tivesse visto. Deram-lhe um copo de plástico com vodka, gelo e uma casquinha de limão. Ela triturou a casquinha entre os dentes, mexendo o gelo com a ponta do indicador, sem beber. Com a movimentação dos outros, levantando o tempo todo para dançar rocks barulhentos ou afundar nos quartos onde rolavam carreiras e baseados, devagarinho conquistou uma cadeira de junco junto a janela. A noite clara lá fora estendida sobre Henrique Schaumann, a avenida poncho & conga, riu sozinha. Ria sozinha quase o tempo todo, uma moça magra querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz. Molhou os lábios na vodka tomando coragem de olhar para ele, um moço queimado de sol e calças brancas com a barra descosturada. Baixou outra vez os olhos, embora morena também, e suspirou soltando os ombros, coluna amoldando-se ao junco da cadeira. Só porque era sábado e não ficaria, desta vez não, parada entre o som, a televisão e o livro, atenta ao telefone silencioso. Sorriu olhando em volta, muito bem, parabéns, aqui estamos.
Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.
Levemente, para não chamar atenção de ninguém, girou o busto sobre a cintura, apoiando o cotovelo direito sobre o peitoril da janela. Debruçou o rosto na palma da mão, os cabelos lisos caíram sobre o rosto. para afastá-los, ela levantou a cabeça, e então viu o céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Vista assim parecia não uma moça vivendo, mas pintada em aquarela, estatizada feito estivesse muito calma, e até estava, só não sentia mais nada, fazia tempo. Quem sabe porque não evidenciava nenhum risco parada assim, meio remota, o moço das calças brancas veio se aproximando sem que ela percebesse.
Parado ao lado dela, vistos de dentro, os dois pintados em aquarela - mas vistos de fora, das janelas dos carros procurando bares na avenida, sombras chinesas recortadas contra a luz vermelha.
E de repente o rock barulhento parou e a voz de John Lennon cantou every day, every way is getting better and better. Na cabeça dela soaram cinco tiros. Os olhos subitamente endurecidos da moça voltaram-se para dentro, esbarrando nos olhos subitamente endurecidos do moço. As memórias que cada um guardava, e eram tantas, transpareceram tão nitidamente nos olhos que ela imediatamente entendeu quando ele a tocou no ombro.
Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.
Levemente, para não chamar atenção de ninguém, girou o busto sobre a cintura, apoiando o cotovelo direito sobre o peitoril da janela. Debruçou o rosto na palma da mão, os cabelos lisos caíram sobre o rosto. para afastá-los, ela levantou a cabeça, e então viu o céu tão claro que não era o céu normal de Sampa, com uma lua quase cheia e Júpiter e Saturno muito próximos. Vista assim parecia não uma moça vivendo, mas pintada em aquarela, estatizada feito estivesse muito calma, e até estava, só não sentia mais nada, fazia tempo. Quem sabe porque não evidenciava nenhum risco parada assim, meio remota, o moço das calças brancas veio se aproximando sem que ela percebesse.
Parado ao lado dela, vistos de dentro, os dois pintados em aquarela - mas vistos de fora, das janelas dos carros procurando bares na avenida, sombras chinesas recortadas contra a luz vermelha.
E de repente o rock barulhento parou e a voz de John Lennon cantou every day, every way is getting better and better. Na cabeça dela soaram cinco tiros. Os olhos subitamente endurecidos da moça voltaram-se para dentro, esbarrando nos olhos subitamente endurecidos do moço. As memórias que cada um guardava, e eram tantas, transpareceram tão nitidamente nos olhos que ela imediatamente entendeu quando ele a tocou no ombro.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Sem cais
Faz tempo que não sinto aquela necessidade de expor meus devaneios loucos por aqui, o que é relativamente bom... Gastaria horas (que seriam melhor usadas, quem sabe, estudando?) tentando traduzir em palavras entendíveis o que tem passado pela minha cabeça. Não que eu queira que alguém saiba. Não que eu consiga explicar. Não que eu mesma entenda.
Férias é ótimo, claro. Até para vestibulandos desesperados... se desligar por uma semana é bom. É o suficiente. O resto dos dias livres serviria pra colocar a matéria em dia (missão não cumprida). De súbito, decidiu-se que teríamos uma semana extra, porque a gripe suína realmente pode infectar colégio e cursinho inteiros - percebam o sarcasmo, por favor. Achei a decisão precipitada e inútil, mas, no fim das contas, os preguiçosos tiveram mais tempo pra colocar a matéria em dia... ou fazer nada.
Uma semana não foi o bastante pra estragar o calendário do resto do ano, parece. Resolveram adiar as aulas de novo. E, apesar da matéria por estudar/revisar, tive a capacidade de manter minha mente livre por tempo demais. Começo a pensar, perco o sono e me perco.
É estranho como transformações acontecem tão rápido. Há um ano, era uma uma menina aparentemente feliz por estar de volta ao aconchego do lar e à escola cheia de amiguinhos, aliviada por ter aguentado os 11 meses longe de casa, despreocupada com o que viria pela frente e decidida de que queria ser arquiteta.
Agora... já nem sei mais. Não reconheço a menina que criou coragem pra entrar num avião sabendo que não veria por um ano tudo o que conhecera até aquele dia. Não me lembro qual foi o motivo que a levou a crer que conseguiria. Não sei de onde ela tirou forças pra continuar. Mas sei que, mesmo estando longe e aparentando ser uma vencedora, ela desistiu... Desistiu de se esforçar pra transformar aquela experiência naquilo que idealizou.
Ganhei mais um bloqueio pra minha coleção de problemas. Ganhei medo de me arriscar. Ganhei um pouco da frieza dos americanos. Ganhei quilos. Ganhei noites em claro. Ganhei autonomia. Ganhei fluência no inglês falado (e talvez já tenha perdido parte dela). Ganhei viagens. Ganhei algumas boas lembranças. No balanço geral, não descobri quais fatores pesam mais. Mas descobri que ainda não estou preparada para mais mudanças bruscas.
Mais um ano pode ser o que preciso (ou não).
Férias é ótimo, claro. Até para vestibulandos desesperados... se desligar por uma semana é bom. É o suficiente. O resto dos dias livres serviria pra colocar a matéria em dia (missão não cumprida). De súbito, decidiu-se que teríamos uma semana extra, porque a gripe suína realmente pode infectar colégio e cursinho inteiros - percebam o sarcasmo, por favor. Achei a decisão precipitada e inútil, mas, no fim das contas, os preguiçosos tiveram mais tempo pra colocar a matéria em dia... ou fazer nada.
Uma semana não foi o bastante pra estragar o calendário do resto do ano, parece. Resolveram adiar as aulas de novo. E, apesar da matéria por estudar/revisar, tive a capacidade de manter minha mente livre por tempo demais. Começo a pensar, perco o sono e me perco.
É estranho como transformações acontecem tão rápido. Há um ano, era uma uma menina aparentemente feliz por estar de volta ao aconchego do lar e à escola cheia de amiguinhos, aliviada por ter aguentado os 11 meses longe de casa, despreocupada com o que viria pela frente e decidida de que queria ser arquiteta.
Agora... já nem sei mais. Não reconheço a menina que criou coragem pra entrar num avião sabendo que não veria por um ano tudo o que conhecera até aquele dia. Não me lembro qual foi o motivo que a levou a crer que conseguiria. Não sei de onde ela tirou forças pra continuar. Mas sei que, mesmo estando longe e aparentando ser uma vencedora, ela desistiu... Desistiu de se esforçar pra transformar aquela experiência naquilo que idealizou.
Ganhei mais um bloqueio pra minha coleção de problemas. Ganhei medo de me arriscar. Ganhei um pouco da frieza dos americanos. Ganhei quilos. Ganhei noites em claro. Ganhei autonomia. Ganhei fluência no inglês falado (e talvez já tenha perdido parte dela). Ganhei viagens. Ganhei algumas boas lembranças. No balanço geral, não descobri quais fatores pesam mais. Mas descobri que ainda não estou preparada para mais mudanças bruscas.
Mais um ano pode ser o que preciso (ou não).
Assinar:
Postagens (Atom)